quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Tratamento Ortodôntico de Pacientes com Problemas Periodontais: Top 5 dúvidas


Com o aumento do número de pacientes adultos, procurando tratamento ortodôntico, aumentam também os casos de adultos com problemas periodontais em tratamento. Segundo o periódico The Lancet, o problema periodontal é altamente prevalente e afeta cerca de 90% da população mundial. Com isso, torna-se necessário alguns cuidados, com o planejamento do tratamento ortodôntico destes pacientes.


Hoje, vamos dar algumas dicas para os ortodontistas, sobre como planejar e tratar ortodonticamente de forma adequada, os pacientes com problemas periodontais. Já falamos sobre tratamentos em pacientes com mordida profunda no post "Mordida profunda: Qual é o melhor tratamento?" ou protocolos de tratamento de mordidas cruzadas baseada em evidência científica no post "Expansão da maxila baseada em evidência Part IV".


1- Quando devo tratar ortodonticamente ou não, um paciente com problemas periodontais?
Os problemas ortodônticos mais comuns em adultos com problemas periodontais é a inclinação vestibular dos dentes anteriores da maxila, espaços interdentais irregulares, rotação, extrusão dental, migração, perda de dentes ou oclusão traumática.


Essas mudanças na dentição, são consequências da perda de suporte, resultado de um periodonto comprometido, e pode algumas vezes dificultar ainda mais as condições de higiene e equilíbrio do sistema estomatognático.




Além disso, em pacientes com doença periodontal ativa, a presença de oclusão traumática, pode inibir a aposição óssea que pode ocorrer após um tratamento periodontal. Em todos estes casos, o tratamento ortodôntico, pode contribuir significativamente para a reabilitação (estética e funcional).



2- Quais são os cuidados que o ortodontista deve ter antes de iniciar o tratamento ortodônticos dos pacientes com problemas periodontais?

Todos os casos periodontais devem ser avaliados junto à um periodontista de forma a escolher a intervenção ortodôntica mais apropriada. O plano de tratamento final, deve ser individualizado e adaptado, para atender as necessidades, os objetivos e a expectativa de cada um.


3- O tratamento ortodôntico pode piorar o problema periodontal de um paciente? Existe alguma contra indicação de tratamento destes pacientes?

A principal causa para o início e progressão da gengivite e periodontite é a placa bacteriana. O problema  não é só o aumento da agregação da placa bacteriana, mas a possibilidade de transição da placa subgengival para uma flora perio-patogênica mais agressiva transformando gengivite em periodontite.


Por este motivo, deve ser aplicado um rigoroso regime de higiene bucal, antes e durante o tratamento ortodôntico com o mínimo ou nenhum aumento no índice de sangramento gengival ou quantidade de placa visível. Pois estudos clínicos comprovam que, mesmo após a remoção do aparelho, mesmo antes do término do tratamento, não há melhoria significativa no índice de placa e redução de bactérias periopatogênicas. Ou seja, quando a inflamação não é totalmente controlada durante o tratamento ortodôntico, pode haver o desencadeamento inflamatório que pode acelerar a progressão da destruição periodontal levando a uma maior perda de tecidos.



Portanto, não há contra-indicação para tratamento ortodôntico em adultos com doença periodontal grave. Pelo contrários, às vezes ortodontia é necessária para melhorar as possibilidades de restauração de uma dentição deteriorada.



4- A colagem de bráquetes e acessórios em pacientes com problemas periodontais é a mesma de um paciente normal?



Em um paciente com dentes periodontalmente comprometidos, o centro de resistência do dente está deslocado mais apical, seguindo os outros elementos anatômicos do periodonto, resultando, assim, na expressão de maiores momentos de força e um aumento no componente extrusivo da força aplicada.



Além da colagem diferenciada dos braquetes, é necessário aumentar as unidades de ancoragem, a fim de aumentar o controle de movimentação dos dentes, principalmente em relação a dimensão vertical.


5- Qual é a melhor ancoragem para pacientes com problemas periodontais?


O uso de dispositivos de ancoragem esquelética, como os microparafusos ortodônticos, miniplacas ou mesmo implantes dentais, servem como unidades de ancoragem nestes casos. Desta forma, a força desejada é aplicada direta ou indiretamente à unidade de ancoragem esquelética, permitindo um melhor controle dos movimentos nas três

dimensões, com pouca ou nenhuma perda de ancoragem. Como alternativa, o uso de forças oclusais (por exemplo, placas de mordida ou placas oclusais) podem às vezes ser uma ajuda preciosa para o controle vertical da posição dos dentes, bem como para
reforço de ancoragem ou para desoclusão selecionada de dentes que facilita a movimentação do dente planejado.


O ortodontista deve planejar os tratamentos, com os sistemas ortodônticos mais simplificados possíveis, de modo a evitar o acúmulo de placa que inevitavelmente acontecerá, na maior parte dos casos. Uma precaução é evitar o uso de molas de aço e ligaduras elásticas, excessos de material de colagem devem ser removidos durante a colocação do aparelho. Braquetes autoligáveis ​​ou ligaduras de aço são mais higiênicas do que as ligaduras elásticas, pois esta última favorecem o acúmulo de placa bacteriana e certa com periopatogenia deletéria para as condições gengivais. Os tubos de colagem são preferíveis às bandas de molares pela mesmas razões referidas anteriormente. Em pacientes com periodonto intacto, tratamento com o sistema Invisalign parece ser mais higiênico quando estudos comparam o acúmulo de placa bacteriana em relação aos braquetes convencionais e linguais.


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